Na Argentina, a impunidade é o resultado natural das coisas. Este país conseguiu levar essa impunidade a outro nível. Multinacionais que admitiram pagar subornos nos Estados Unidos não foram condenadas pelos tribunais argentinos. O caso de empresas como Siemens e Odebrecht ilustra bem essa realidade. Recentemente, Ángelo Calcaterra, primo do ex-presidente Mauricio Macri, também escapou impune de acusações de corrupção.
O escândalo dos “cuadernos” revelou um quadro de corrupção generalizada entre empresários e políticos argentinos. O caso envolveu diversos acusados, alguns dos quais se declararam culpados para obter penas mais leves. No entanto, o processo segue arrastado, sem condenações efetivas.
A impunidade na Argentina é corroborada pelas manobras judiciais e políticas que beneficiam os envolvidos em casos de corrupção. A ampliação da Corte Suprema ou a manipulação dos processos são apenas algumas das estratégias utilizadas para proteger os culpados. A lentidão da Justiça e as falhas nos procedimentos legais contribuem para garantir que os corruptos fiquem impunes.
O caso de Calcaterra ilustra bem como os poderosos continuam a escapar das punições devidas. Ao beneficiar-se de brechas na lei e decisões judiciais questionáveis, ele consegue postergar um possível julgamento ou obter penas mais brandas. Essas práticas reforçam a cultura da impunidade e revelam a falência do sistema de Justiça no país.
A luta contra a corrupção na Argentina enfrenta desafios enormes, que vão além dos aspectos legais. A conivência entre políticos, empresários e membros do Judiciário perpetua a impunidade e mina a confiança da população nas instituições. Enquanto casos como o dos “cuadernos” não resultarem em condenações efetivas, a impunidade continuará sendo o desfecho natural das investigações de corrupção no país.