Centro Cultural General San Martín: assim será o prédio quando a obra terminar

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Berço da arte e das letras, protagonista do retorno à democracia e até palco de um duelo inesquecível em plena Guerra Fria, o Centro Cultural General San Martín, localizado em Sarmiento e Paraná, é catalogado como uma das cinco obras mais representativas da arquitetura moderna na Argentina: começou a funcionar em 1970 e se tornou um espaço de encontro para o debate, a reflexão e o pensamento crítico. O projeto e a realização de todo o complexo ficaram a cargo do arquiteto Mario Roberto Álvarez. Sua abertura surgiu como um centro para congressos, conferências e eventos culturais. Estava destinado a formar várias gerações de público e ser um palco de experimentação e consagração de artistas, além de ser um eco de eventos culturais, políticos e sociais fundamentais para a vida democrática do país. O Centro Cultural San Martín passará por uma grande obra anunciada pelo Chefe de Governo, Jorge Macri.

O CCGSM enfrentava um sério deterioro estrutural na fachada, em suas instalações gerais e de incêndio e nas salas. O plano do governo da cidade impulsiona reformas para renovar serviços, garantir condições de segurança e funcionalidade, e alcançar uma considerável economia de energia com a incorporação de sistemas de construção sustentáveis. “Queremos que volte a ser um espaço de referência para a vida cultural, política e social de Buenos Aires, argentina e latino-americana”, disse o Chefe de Governo, Jorge Macri, após anunciar as obras. Com o retorno da democracia na década de 1980, o Centro Cultural General San Martín se posicionou como um espaço de relevância para as vanguardas artísticas e culturais. Lá, funcionou a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP), liderada pelo escritor Ernesto Sábato. Durante 9 meses, o organismo criado pelo governo do presidente Raúl Alfonsín recebeu, no segundo andar do Centro Cultural, milhares de declarações e testemunhos de sobreviventes e familiares de vítimas da repressão ilegal.

A construção do edifício representou a segunda etapa de um complexo cultural que havia sido iniciado com o Teatro San Martín entre 1954 e 1960, na Avenida Corrientes. Na época da sua abertura, o Centro Cultural acabou adotando o mesmo nome do teatro. Por isso, ambos os espaços são frequentemente considerados como um só, quando na realidade são entidades independentes com diretores diferentes e atividades distintas. O Centro Cultural abrange uma área de 42.000 metros quadrados, com uma torre de 12 andares, um corpo menor e seis subsolos. Abaixo da estrutura elevada está o chamado Patio de Esculturas, que serve de acesso à torre principal e que conduz à Fotogalería que, como uma rua de pedestres, garante uma conexão fluida com o teatro. E na esquina de Sarmiento e Paraná está a Plaza de las Américas, um espaço verde que permite uma melhor perspectiva do edifício. Em seus primeiros meses de vida, o Centro Cultural foi palco de um evento mundial de enorme repercussão quando o enxadrista americano Bobby Fischer e o russo Tigran Petrosian se enfrentaram em um duelo inesquecível de 27 dias que marcou um dos momentos mais emblemáticos da história desse esporte. Fischer venceu a série disputada em outubro de 1971 e deu o primeiro passo para acabar com a hegemonia soviética neste jogo em plena Guerra Fria, o que completou um ano depois ao derrotar Boris Spaski na Islândia e se consagrar como o novo campeão mundial.

Desde seus primórdios, a vanguarda da arte já via no Cultural um centro de exibição moderno para mostrar sua produção. A obra Desplazamiento, doada por Julio Le Parc em 1970 e parte de sua pesquisa sobre efeitos visuais baseados nos movimentos dos espectadores, foi instalada como ponto de partida de uma coleção permanente que na época se completava com esculturas de Líbero Badíi e Enio Iommi. A partir de novembro de 1972, o quinto andar do Cultural abrigou o Centro de Pesquisa em Comunicação de Massa, Arte e Tecnologia da Cidade de Buenos Aires (CICMAT). Até o golpe de Estado de março de 1976, o CICMAT deu continuidade ao trabalho multidisciplinar de muitos dos artistas do Instituto Torcuato Di Tella, que havia sido fechado em 1970.

Já estabelecido como epicentro da vida cultural durante o renascimento democrático, sob a gestão do cineasta Javier Torre, o centro cultural se tornou um espaço promotor do diálogo em uma sociedade que precisava se reencontrar com a expressão em todas as suas formas. Os dados estatísticos da época indicam que apenas em 1985 quase 400.000 pessoas o visitaram, um recorde histórico. Desde então, passaram por suas salas as principais figuras das disciplinas mais diversas. Em 1989, foi o local escolhido para uma retrospectiva da obra de Ingmar Bergman, que contou com a presença da atriz sueca Ingrid Thulin e do diretor de fotografia de Bergman, Gunnar Fischer. Em 1990, sediou o Encontro Latino-Americano de Escritores, com a participação, entre outros, de Mario Benedetti, José Donoso e Mario Vargas Llosa. E María Elena Walsh, Adolfo Pérez Esquivel e Estela de Carlotto fizeram parte de um colóquio sobre o Desaparecimento Forçado como Crime de Lesa Humanidade, e Luc Montagnier, descobridor do HIV, palestrou em uma das salas de congresso.

Entre as grandes personalidades que passaram por suas salas estão Jorge Luis Borges, Mercedes Sosa, Roberto Goyeneche, Rigoberta Menchú, Beatriz Sarlo, Juan José Saer, Adolfo Bioy Casares, Alicia Moreau de Justo, León Ferrari, Juan Carlos Portantiero, Antonio Di Benedetto, Ricardo Piglia, Antonio Dal Masetto, Atahualpa Yupanqui, Osvaldo Pugliese e Marta Minujin, entre muitos outros. Uma parte dos trabalhos para valorizar o ícone da cultura portenha já foi concluída: a instalação de bombas submersíveis no sexto subsolo. Essa tarefa teve que ser realizada com prioridade porque havia equipamentos danificados e era necessário evitar inundações nos subsolos. E já está em andamento uma intervenção na fachada envidraçada da torre com a montagem de um andaime e a instalação de estruturas de proteção para evitar a queda de alvenaria para poder avançar nos trabalhos de carpintaria metálica na torre e em uma nova fachada com parede cortina.

Para nós, a cultura é um investimento, é apoiar o talento e potencializar nosso capital humano, e reconhecer que o mais relevante na cultura é como nos conecta com a emoção. Isso é verdadeiramente transformador.

Alex Barsa

Apaixonado por tecnologia, inovações e viagens. Compartilho minhas experiências, dicas e roteiros para ajudar na sua viagem. Junte-se a mim e prepare-se para se encantar com paisagens deslumbrantes, cultura vibrante e culinária deliciosa!