O Racing chegou à reta final do Clausura com a reserva do seu tanque de combustível, justo quando ganhar se tornou uma necessidade urgente para aspirar à classificação para os playoffs. No grupo A equilibrado, onde a irregularidade se tornou uma característica que comprimiu o pelotão de equipes que lutam para avançar, a Academia venceu por 1-0 o Defensa y Justicia, com um gol de Duván Vergara, e temporariamente se posicionou entre os oito que jogariam as oitavas de final, a uma rodada do final da fase regular.
A equipe de Gustavo Costas não tem sobras, mas conseguiu uma vitória que se fazia obrigatória para respaldar a esperança de se classificar para os mata-matas que definirão o próximo campeão do futebol doméstico. Sem o apoio de seu público, já que as portas do Cilindro estavam fechadas devido à sanção de três jogos imposta pela APreViDe (por ter disparado pirotecnia contra o Flamengo, na Copa Libertadores), o Racing prejudicou um concorrente direto na luta pela classificação.
Na preliminar, ambas as equipes entravam em campo com 19 pontos, mas com uma melhor diferença de gols para a Academia (+1) em relação ao Halcón (-2), cuja atuação em Avellaneda foi muito fraca. Apesar das deficiências que o Racing exibe no jogo ao longo da temporada, já que é muito comum mostrar falta de clareza quando tem a bola e termina diferentes ações com chutões sem destino claro, desde o início marcou uma diferença de atitude em relação ao rival de pouco ímpeto.
Além de se posicionar rapidamente no território do Defensa, a equipe de Costas se impôs permanentemente nas jogadas surgidas de bolas paradas: por essa via, depois de chutes de esquina, os cabeceios de Marcos Rojo estiveram perto de quebrar a igualdade. Quando Luciano Vietto conseguiu conectar com seus colegas, a equipe de Costas teve suas melhores construções. No entanto, o número 10 saiu no intervalo devido a uma nova lesão (supostamente na panturrilha).
Paradoxalmente, a abertura do placar não foi resultado da pressão do Racing sobre o Defensa y Justicia, já que surgiu de um lançamento longo de Facundo Cambeses: o goleiro chutou com potência e colocou Duván Vergara para correr, ele suportou o ataque do marcador, foi cara a cara com Enrique Bologna, driblou-o e tocou suavemente para a rede. Cambeses, que fechou seu gol pela sétima partida seguida no torneio doméstico, foi saudado por todos os integrantes do elenco, já que sua leitura do momento para buscar Vergara foi crucial na gênese do gol. Quando os goleiros recebem mais abraços e congratulações do que os jogadores que marcam gol, é digno de nota.