Corrida, do “com Costas não se brinca” ao golaço de Solari e a resposta do treinador: “Ganhamos isso juntos”

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O Racing precisava urgentemente de vencer. Isso era necessário não apenas por ter começado o Torneio de Abertura com três derrotas consecutivas, uma sequência que o tornou o único dos 30 times do campeonato sem pontos. A vitória também se tornou a única maneira de tentar apagar a espiral negativa na qual havia entrado no cenário político do clube. Por isso, o 2-1 conquistado contra o Argentinos, no Cilindro, teve um valor que excede os três pontos que agora conta na tabela do grupo B.

Apesar de ter estado a segundos de conquistar o campeonato argentino em dezembro, o que teria sido coroar uma temporada em que foi o protagonista principal, a equipe de Gustavo Costas acumulou tropeços juntamente com uma diretoria que cometeu erros não forçados.

O ambiente prévio distava daqueles dias de esperança de 2025, quando o lema “todos juntos” do técnico racinguista dominava a cena. “Com Costas não se brinca” foi uma das pichações que, na madrugada anterior, ficaram gravadas em uma das paredes da rua Colón, ao lado de uma das arquibancadas do Cilindro. Apesar de a lupa não ter estado sobre o treinador e ídolo da Academia durante a semana, o aviso também refletia um mal-estar crescente.

O foco principal da discórdia não era Costas nem os jogadores. Diego Milito, o ídolo que dentro de campo tornou sua figura uma das mais influentes do clube no século, começou a sentir as dificuldades que pode enfrentar no cargo de presidente. Sua figura, como chefe de gestão, foi envolvida em uma decisão que causou muito barulho entre os torcedores da academia: mudou de camarote e de estacionamento para Víctor Blanco, o líder que comandou o clube por mais de uma década.

O argumento oficial sobre essa decisão foi que a American Vial, um dos novos patrocinadores na camiseta, havia solicitado aquela localização que antes pertencia ao antigo líder albiceleste. A divisão do Racing começou a repercutir mais em todos os torcedores, não apenas aqueles que acompanham com mais frequência a política da instituição. Milito, a quem é cobrada maior presença pública, uma vez que não é adepto de dar entrevistas coletivas, não se manifestou sobre o assunto. E Costas, após o jogo, se manteve à margem da polêmica: “Não vou me meter na política, é muito importante que estejamos todos juntos. Hoje a torcida apoiou em todos os momentos, ganhamos juntos.”

Racing, que não conta mais com Juan Ignacio Nardoni em seu elenco (transferido para o Grêmio de Porto Alegre), precisava mudar a energia contra o Argentinos. Por isso, estritamente no futebol, Costas sacudiu o tabuleiro e fez cinco modificações: tirou Gastón Martirena, Nazareno Colombo (machucado), Agustín García Basso, Bruno Zuculini e Valentín Carboni. Este último, apesar de chegar como reforço de destaque, saiu do time titular após três atuações tão fracas quanto as da equipe. Costas, que nos jogos anteriores o havia substituído aos 15 minutos do segundo tempo, deu o sinal com essas variações de que não estava satisfeito com o extremo vindo do Inter.

Ezequiel Cannavo, que chegou do Defensa y Justicia após a primeira rodada, fez sua estreia na lateral direita, enquanto Marcos Rojo voltou à titularidade, depois de uma janela de transferências em que esteve prestes a se transferir para o Estudiantes. Cannavo teve uma apresentação sólida diante da torcida do Racing, mostrando muito controle na marcação e sendo sempre uma opção no ataque, em uma dobradinha que formou com Baltasar Rodríguez e Santiago Solari.

Baltasar, que havia tido atuações acima da apatia de toda a equipe, foi o melhor em campo. Muito ativo pelo lado direito, com boas decisões ao passar a bola, mas também com uma dinâmica que quebrou o molde e proporcionou dribles, revitalizou o meio-campo. Nesse setor, o Argentinos sofreu nas laterais, já que o duplo cinco formado por Enzo Pérez e Federico Fattori não conseguia cobrir a largura do campo. O Racing feria pelas laterais, principalmente nas costas de Sebastián Prieto.

O Racing aproveitou os espaços e assim marcou o gol, com uma saída rápida pelo lado esquerdo que resultou em um passe cruzado para Tomás Conechny, substituto de Carboni, que venceu Brayan Cortés para o 1-0. Pela primeira vez no torneio, o Racing saiu na frente. O Argentinos acordou e exigiu de Facundo Cambeses, que também viu como cada bola aérea complicava sua defesa e colocava em risco a vantagem.

No entanto, antes do intervalo e após perder algumas chances muito claras, Santiago Solari coroou com um chute indefensável uma construção coletiva muito boa do Racing. Apesar do 2-0 com o qual foram para o intervalo, o início do segundo tempo trouxe suspense ao placar, pois Erik Godoy descontou após um cabeceio de Tomás Molina que bateu na trave.

Paradoxalmente, o Argentinos não se animou. E apesar de todo o tempo que tinha a seu favor para buscar o empate, faltou profundidade. O Racing, que nos jogos anteriores fez dos desajustes um cartão postal habitual, não passou por grandes dificuldades. Hernán Mastrángelo, o árbitro da partida, foi insultado pelos torcedores locais depois de considerar que uma mão que lhe haviam marcado do VAR – e que teria significado pênalti para o Racing – teve anteriormente uma suposta falta de ataque de Adrián Martínez.

Maravilla, apesar de não marcar, lutou e ganhou várias bolas para seus companheiros, que não conseguiam ampliar a vantagem. Com o apito final veio um grito que combinava alegria com alívio. Porque o Racing, em uma semana complexa, voltou a sorrir e conquistou um pouco da tranquilidade que tanto precisava.

Alex Barsa

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