As cremonas de Artiaga são um sucesso que atrai uma grande clientela. É uma companhia ideal para o chimarrão de domingo ou para começar, talvez, uma contrainvestida à discutível moda anti-harinas. “Eu escolho acreditar”, diz sorrindo Marisol Alfonso Rodríguez, terceira geração da Panadería Artiaga, a tradicional confeitaria que atualmente tem Juan, campeão local e um dos três sucessores, “treinando” para um novo mundial de panettone. “O mito diz que teria sido um imigrante da região da Lombardia quem a criou e a chamou assim, homenageando sua terra natal, a cidade italiana de Cremona. Mas não há certeza, como muitas receitas. Na Europa há um produto um pouco semelhante, mas em forma de ferradura e com uma massa diferente, então diria que apenas aqui – e no Uruguai – existem cremonas como as conhecemos”, completa a responsável pelo marketing da padaria que caminha rumo ao centenário. Assim, sob a consigna inegociável de ser “crocante por fora, úmida por dentro”, um mundo de possibilidades se reúne até mesmo em cafeterias especializadas, onde foram incorporados ingredientes e recheios que as tornam ainda mais irresistíveis. Pequeno, com um balcão virado para a rua como nos cafés clássicos, o local de Polvorín em Parque Chacabuco guarda todas as combinações possíveis. Nascido há cerca de três anos, ele lembra em seu nome esta zona onde costumava estar a Fábrica Nacional de Pólvora, fechada no final de 1800 após uma grande explosão, o que resultou na construção do parque sob a direção de Carlos Thays. “Queríamos ter um café especializado que oferecesse não apenas os melhores grãos, mas também certos produtos identitários de nossos costumes. Algo bastante portenho, em um lugar super portenho, dizíamos eu e Ángel, meu sócio; e Pilar, minha parceira. Mas eu tinha que oferecer algo diferente, algo extra ao mesmo tempo”, conta Franco Saponare. Em Polvorín, eles apostam no abacate como parte do recheio. Para essa missão, não poderiam faltar as medialunas, e claro, as cremonas. “Aí surgiu a ideia de rechear uma com abacate e então nasceu a ‘cremona avocado’, uma mistura de argentidade e novas tendências”, acrescenta. A repercussão foi tanta que imediatamente incorporaram mais versões, como a de creme de confeiteiro, a de doce de leite, uma mista entre ambas, e até mesmo uma recheada com presunto cru, pesto, fontina e tomates secos. Os cafés migraram para o brunch, e para muitos, diretamente em um ponto de encontro para almoçar. “Embora sejam individuais e pesem 160 gramas, seus recheios e complementos são bem substanciais: o avocado leva um abacate inteiro, cream cheese, cebola roxa e um ovo poché, por exemplo”, descreve. Um detalhe a não ser ignorado é a matéria-prima base da cremona de Polvorín. Sua massa folhada é enriquecida com gordura do gado da raça Wagyu, de origem japonesa. “Vem dessas carnes que parecem marmorizadas, macias e com altos teores de Ômegas 3 e 6”, conta.
Cremonas: de Saavedra ao Microcentro, o pódio de uma paixão portenha irresistível
- Post publicado:29 de setembro de 2025
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Alex Barsa
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