“Não há segredos aqui: o mesmo que te recebe é quem te atende e quem cozinha para você”, afirma Pablo Vergani, responsável pela Casa Frontera. O restaurante funciona em sua casa e recebe apenas 12 comensais em horários espaçados, para que a experiência seja uma consagração de sua ideia: voltar para casa para saborear pratos típicos em sua melhor versão. Em oposição às propostas gastronômicas excessivamente estimulantes, aqui se destaca uma tendência: “Queremos que você possa voltar a conversar”.
Localizada nas margens de Villa Luro, a 20 quarteirões da General Paz e a 10 do Parque Avellaneda, Casa Frontera é um refúgio fora do radar, em um território com casas simples, antigas mercearias, quitandas e vizinhos fazendo compras de forma despreocupada, em um ritmo lento. Ir para o centro é uma opção que requer considerações. Nas proximidades, encontra-se a clássica pizzaria “Viejo Torino”, o fim da cidade.
Sem indicações nem sinais exteriores, não há publicidade sobre a localização da Casa Frontera em suas redes sociais ou no Google. Apenas ao fazer uma reserva, é revelado o endereço e o horário designado para o jantar. “O ideal é que sejam quatro pessoas a cada meia hora”, explica Vergani. Ao chegar em um local discreto na rua Donizetti, é ele mesmo quem dá as boas-vindas.
Com apenas quatro mesas, um pequeno salão, artigos selecionados como cristaleira e um quadro na parede, a Casa Frontera oferece uma atmosfera íntima. “A cozinha tem quatro bocas, é uma cozinha de casa, somos três fazendo tudo”, destaca Vergani. O cardápio não é dividido em etapas, consistindo em poucos pratos integrados em uma narrativa contada pelo próprio chef. Os ingredientes são de alta qualidade, com frutos do mar vindos de Chubut, peixes de Mar del Plata, trufas de Espartillar e vinhos que permitem uma harmonização perfeita.
Com reservas esgotadas, a Casa Frontera abre às segundas, quintas, sextas e sábados. Os doze escolhidos entram como cúmplices em um protocolo feliz: todos se cumprimentam. A irmandade é imediata e orgânica, as trocas de olhares acontecem com naturalidade. “Abrimos nosso coração: é voltar para casa para comer”, declara Vergani.
Através de uma trajetória marcada por decisões intensas, Vergani encontrou seu caminho na gastronomia. Desde jovem, atuou com as chamas na cozinha, foi responsável pela culinária em um centro cultural, vendeu comida na Avenida Avellaneda, e depois migrou para o mundo corporativo antes de abrir a Casa Frontera.
O conceito intimista da Casa Frontera conquistou a atenção dos exploradores hedonistas da cidade, ganhando destaque com elogiospositivos do boca a boca de clientes satisfeitos. Em um cenário onde os restaurantes autênticos são cada vez mais valorizados, a Casa Frontera se destaca por proporcionar uma experiência verdadeiramente única e enriquecedora.