Fuga: a cidade de Buenos Aires que surpreende com a obra de um arquiteto genial

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A Praça San Martín reflete a impressão do genial arquiteto Sebastián Pani. Tem de tudo. Grandes áreas rurais, um balneário maravilhoso e serras. Aqui está o início, ou o fim, do Sistema de Tandilia. E uma boa parte de sua riqueza cultural gira em torno do cemitério com a obra do arquiteto Francisco Salamone (1897-1959). É uma cidade com ares de campo que tem 60.000 habitantes e está localizada a 300 km de Capital Federal. Azul é uma área de múltiplas facetas, soube se moldar pelas mãos dos imigrantes espanhóis, italianos, franceses e bascos, que moldaram um destino de abundância econômica e riqueza cultural. De fato, na década de 50, Azul era um foco de cultura e educação na província. Tinha um grande potencial econômico, com uma forte influência agrícola-pecuária. Naquela época, foram criados o Arcebispado, a Escola Nacional de Belas Artes e o Palácio de Tribunais. E também houve um forte desenvolvimento industrial: a fábrica de cerâmica San Lorenzo, os curtumes e a indústria têxtil. Na entrada, lê-se RIP em grandes letras.

Em Azul, um anjo de estirpe faraônica guarda a entrada do cemitério municipal. Segura uma espada entre as mãos, apertada no peito, e olha para frente. Atrás, as letras do descanso eterno (RIP), esculpidas em pedra calcária negra, dobram em tamanho o anjo de concreto. A obra futurista da arte déco se ergue a mais de 20 metros e intimida. Tanto que são muito poucos aqueles que entram no campo santo pela porta principal. Diz-se que é melhor usar a lateral. O matadouro é outra das obras emblemáticas de Salamone.

Essa escultura que os habitantes de Azul chamam de “o anjo exterminador” na verdade se chama O Anjo Guardião e foi inaugurada em 1938. É uma das obras icônicas de Francisco Salamone, que deixou sua marca em cemitérios, matadouros, praças e prefeituras, com construções monumentais que irrompem na tranquilidade da planície pampeana. O Anjo é um ponto-chave na rota “salamônica”, aquele caminho surrealista percorrido pelos devotos do arquiteto e engenheiro ítalo-argentino que conecta 25 localidades na província de Buenos Aires, como Balcarce, Rauch, Gonzáles Chaves, Epecuén, Carhué, Guaminí, Tres Arroyos, Alberti e Laprida, entre outras. O Teatro Espanhol acrescenta cultura à localidade.

O matadouro municipal é outra de suas obras emblemáticas e data do mesmo ano. Fica no caminho antigo para Tandil, a alguns quilômetros da RN 3. É um edifício que intercala linhas retas e curvas com uma chamativa torre que se eleva em forma de lâmina; mas aqui, onde antes foram abatidos os bovinos, hoje funciona um centro de apicultores. A Praça San Martín é outra das obras de Salamone. Sua marca é observada no design do piso, com ladrilhos brancos, pretos e cinzentos em ziguezague, e linhas retas e curvas nos bancos e luminárias de concreto. Ao seu redor estão a Prefeitura, a Catedral – um templo de estilo gótico de 1906 –, o Grande Hotel Azul e o teatral Teatro Espanhol.

A obra de Salamone é colossal. A praça foi projetada com a marca de Salamone. Marco cultural neoclássico da pampa, o teatro foi construído em 1896 com o incentivo da Sociedade Espanhola. Contou com luminárias como Tita Merello, Margarita Xirgu, Libertad Lamarque – alguns afirmam que estreou nestas tabuas – e Carlos Gardel, que, dizem que dizem, teria cantado nas escadarias para o público que ficou de fora. Nos anos 40, começou a funcionar como cinema, o que iniciou seu declínio, que ficou evidente em 1975, quando teve que ser fechado. A restauração levou 25 anos e estima-se que tenha sido gasto cerca de um milhão de dólares. Hoje, as poltronas reluzem estofadas em um vermelho vibrante, em harmonia com a cortina. Os moldes, de dourado impecável, emolduram os camarotes e o cofre, onde brilham os delicados vitrais. O piso, os rodapés e o mármore de Carrara que revestem a escada são originais. O teatro foi reinaugurado em outubro de 1992 e dois anos depois Julio Bocca se apresentou.

Alex Barsa

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