Os números oficiais da cidade de Buenos Aires indicam que a inflação em agosto desacelerou após dois meses de aumento. Devido à queda nos preços sazonais (-2,7%), o IPC portenho foi de 1,6% no mês passado. Isso representa uma queda de 0,9 pontos percentuais em relação aos dados de julho (2,5%) e levou a inflação acumulada nos primeiros sete meses do ano a 20%. Na medição anual, o aumento do custo de vida atingiu 37,4%.
O dado divulgado pelo Instituto de Estatísticas e Censos da cidade de Buenos Aires está abaixo da maioria das estimativas de consultorias privadas, que previam um aumento de preços em torno de 2%. O dado nacional do Indec será divulgado na próxima quarta-feira.
O setor de Alimentos e Bebidas, com maior peso na cesta com a qual o IPC portenho é medido, desacelerou 0,8 pontos e teve uma inflação de 1% (18,2% no acumulado de 2025). “Dentro dessa divisão, os principais impulsos vieram de Pães e Cereais (2,2%) e Frutas (5,5%). Por outro lado, destaca-se Verduras, Tubérculos e Legumes (-1,2%)”, relata o relatório, que explicou 0,18 pontos dos 1,6 de inflação geral do mês.
A categoria com maior aumento em agosto foi Seguros e Serviços Financeiros (+5,7%), seguida por Transporte (+3%) devido ao aumento nos preços dos combustíveis e lubrificantes para veículos domésticos e automóveis. As variações negativas nos valores das passagens aéreas ajudaram a aliviar a pressão sobre esse setor.
O setor de Saúde teve um aumento de 2,1%, devido aos ajustes nas mensalidades dos planos de saúde, e o segmento de Habitação, Água, Eletricidade, Gás e Outros Combustíveis aumentou 1,9%, impactando principalmente nos preços dos aluguéis. Em seguida, estão os aumentos nos valores dos serviços de reparação e nas despesas comuns com moradia.
Por outro lado, o setor de Vestuário e Calçados teve uma queda de 0,4% no mês, sendo o único setor a ter baixa nos preços nominais em agosto.
O relatório destaca um efeito significativo dos preços sazonais (-2,7%), que compensa um aumento de 1,9% nos preços regulados. O IPC núcleo (que exclui os dois setores anteriores) ficou em 2% (avaliado em 0,1 ponto percentual em relação aos 1,9% de julho).
A análise da inflação de julho na cidade mostra que houve maiores ajustes nos serviços (1,7%) do que nos bens (1,4%), indicando que, pelo menos na inflação do mês passado, não houve um forte repasse do aumento do dólar para os preços.
O dado da inflação em Buenos Aires não necessariamente indica a tendência da dinâmica nacional: além de terem amostras de preços diferentes, na cesta do Indec, os serviços têm menor peso do que no IPC portenho.
As projeções de economistas privados apontam para uma inflação nacional em torno de 2% para o mês. No último Relatório de Expectativas de Mercado (REM) divulgado pelo Banco Central, o consenso das estimativas foi de 2,1%.