Manuel Gonçalves veio de Portugal em 1961, com 12 anos de idade. Sua família, como muitos outros portugueses, instalou-se no cordão frutícola de La Plata para trabalhar a terra. O desejo de recuperar os sabores que ele havia gostado quando era criança o levou a uma busca quase obsessiva pela figueira adequada. “Foram mais de 30 anos até encontrar o figo que eu queria”, conta Manuel em sua tentativa de replicar aquele sabor da infância.
Manuel começou com as plantações, experimentando diferentes variedades de figos, o que levou quase toda a sua vida para encontrar a planta correta.
“Na região de Portugal, onde eu morava, havia plantações de figueiras, e eu gostava muito de comer figos. Quando vim para a Argentina, não havia figos como aqueles, então fui procurando uma forma de encontrar algo semelhante.” Assim ele começou com as plantações, experimentando diferentes variedades de figos, o que levou quase toda a sua vida para encontrar a planta correta.
Figos grandes, doces e carnudos. As plantações estão no fundo de sua casa na Rota 2, no bairro El Peligro, no Grande La Plata. Manuel tem mais de 80 plantas e segue boas práticas. Ele os cuida obsessivamente das pragas; eles estão em uma estufa e ele não utiliza agroquímicos. “A casca é muito saborosa e nós podemos comer o figo sem tirar a casca, até mesmo sem lavá-los, porque a planta está muito bem cuidada”, desliza o produtor.
“Foi mais de 30 anos até encontrar o figo que eu queria”, conta Manuel em sua tentativa de replicar aquele sabor da infância.
Os figos de Manuel são comercializados sob a denominação “Laurilóes” e só são encontrados em sua propriedade e em alguns pontos de La Plata.
Encontrar o fruto requintado não foi fácil. Uma das adversidades da produção de figos no cordão frutícola platense é o clima. “Aqui há muita umidade e chuva, e havia variedades que não resistiam, então fui procurando uma variedade que tivesse as condições, que não se estragasse, que aguentasse a umidade, que tivesse um bom tamanho, boa cor e que fosse saboroso”, explica o produtor, que conseguiu chegar ao seu fruto perfeito após experimentar mais de 20 variedades.
A variedade de figos que Manuel produz se chama Dalmácia, “eu a comprei de um homem de um viveiro italiano que me disse que a trouxe da Itália”, relata Manuel. “Acontece que essa variedade de figueira suporta a umidade mais do que outras e que a fruta tem boa cor, uma casca saborosa, um tamanho generoso e muito sabor”.
A obtenção de uma boa colheita é condicionada pelo clima. “Uma boa poda, a rega e protegê-los da chuva são as chaves principais para o cuidado das figueiras, mas situações climáticas extremas podem prejudicar o desenvolvimento normal da planta”, adverte Manuel e conta que as geadas de 2024 prejudicaram os brotos das figueiras, por isso nesta temporada não houve espaço para as brevas.
Manuel sai todas as manhãs, bem cedo, para colher. Ele o faz manualmente com um gancho para aproximar os galhos e arrancar a fruta com cuidado. Ele os acomoda um a um na cesta que carrega pendurada no braço. A cor, um verde claro vibrante, indica o ponto da colheita. Durante seu trajeto, ele experimenta alguns e os aprecia. Ao concluir sua colheita, ele os acomoda com cuidado nas caixas que serão mantidas em um galpão fresco até a entrega.
Turistas e chefs reconhecidos, como Narda Lepes, se aproximam de seu campo, valorizando sua produção artesanal.
O produtor recomenda comê-los frescos e sem descascar, pois a casca é fina e está livre de pesticidas. Ele também recomenda fazer doce caseiro, para de alguma forma manter o sabor do figo durante todo o ano.
Desde algum tempo, o nome de Manuel ressoa no circuito gastronômico. Narda Lepes é uma de suas principais clientes, ela costuma ir buscar figos para suas preparações. Uma matéria-prima cobiçada, tanto pela estética quanto pela qualidade do sabor. “Cozinheiros de todas as partes me ligam para eu enviar os figos”, revela o produtor deste fruto requintado, com uma importante carga nostálgica de verão.
Os figos de Manuel são comercializados sob a denominação “Laurilóes” e só são encontrados em sua propriedade e em alguns pontos de La Plata. De vez em quando, ele pode ser encontrado em alguma feira regional. “Sempre vou para a Festa do Tomate; os clientes já sabem disso e vão cedo porque logo fico sem estoque”, diz Manuel, que recomenda passar pela sua propriedade para garantir o produto.
Quem quiser comprar, pode ir até seu local. Manuel e sua companheira Gabriela estão atentos à chegada dos clientes. “Eu fico muito feliz quando passam para buscar os figos, pois sei que vão desfrutar de algo especial e que para muitos, trará lembranças”.
Laurilòes
Rota 2 km 44, bairro El Peligro, La Plata. Tel. (011) 5013-0855
IG: @lauriloes.higos