Racing venceu o Olimpia, mas a tempestade do caso Maxi Salas pode quebrar a harmonia do grupo

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No Paraguai, onde no dia 23 de novembro do ano passado foi uma das grandes figuras da consagração do Racing na Copa Sul-Americana, este sábado Maximiliano Salas foi alvo de assobios e alguns insultos por parte dos torcedores da Academia. No contexto do amistoso internacional em que a equipe de Avellaneda venceu por 4-1 o Olimpia, os fãs que compareceram ao estádio Defensores del Chaco demonstraram a raiva e decepção com a conduta do atacante, que se recusou a assinar a renovação e melhoria do contrato e pediu para ser transferido para o River.

O Salas-Gate teve repercussões muito grandes, não só por como o caso ressoou a nível interno no Racing, mas também porque a possível execução da cláusula de saída do jogador colocou o River em um dilema: cumprir a obsessão de Marcelo Gallardo, que havia ligado várias vezes para o jogador (inclusive durante o Mundial de Clubes, após perder Sebastián Driussi) ou obedecer ao pacto de cavalheiros da Associação de Futebol Argentino de não executar cláusulas de saída a nível nacional.

O Racing, cujo propósito inicial neste mercado de transferências era manter a base do elenco, fez saber a Salas que não tinha a intenção de transferi-lo. Portanto, a Academia só abriria as portas de saída em duas circunstâncias: se o jogador depositasse os 8 milhões de euros de sua cláusula de rescisão, ou em troca de 15 milhões de dólares, o valor de “escape” que estaria no vínculo que ele se recusou a assinar.

Com esses possíveis cenários, a novela ganhou um novo capítulo e teve outra reviravolta com a criação de uma normativa anunciada pela AFA e pelo Sindicato de Jogadores Argentinos: a cláusula de rescisão simplificada. A medida, apresentada pela entidade maior do futebol como uma ferramenta que evita escândalos entre dois grandes clubes no caso de Salas, permite a inclusão de novas formas de pagamento para interrupções prematuras de contratos. “O jogador poderá exercer mediante acordo celebrado com o clube com o qual tenha contrato vigente registrado”, diz o documento 6711, publicado no Boletim Oficial da entidade que reúne todas as instituições do país.

“Autoriza que o pagamento seja feito em parcelas e prazos a acordar, até incluir a figura de objetivos a cumprir, sujeitos ao rendimento”, afirma a publicação, que consiste em nove pontos, entre os quais também se destaca que “o novo clube será o único responsável pelo pagamento das quantias envolvidas, nos termos estabelecidos no acordo”. Outra novidade é a redução da carga tributária: de 13% prevista nas operações tradicionais de cláusula de rescisão para 5%, divididos entre AFA (2%), Sindicato de Jogadores (0,5%) e Fundo Final de Carreira (2,5%).

Assim, enquanto Salas permanece no Racing – que na terça-feira retirou da mesa o novo contrato que tinha acordado verbalmente -, a nova normativa da AFA e do Sindicato de Jogadores pode ser a que articula a saída do jogador da Academia sem que o River quebre o famoso pacto de cavalheiros da AFA. Apesar da inclusão de pagamentos por objetivos – semelhante a qualquer transferência convencional entre clubes -, uma ferramenta inovadora em caso de diálogo para implementar a cláusula de rescisão simplificada, por enquanto o Racing mantém a mesma posição da semana passada. “Por enquanto, estamos na mesma situação, temos que olhar para frente e ver como tudo se resolve”, disse uma fonte importante da Academia ao La Nación.

Diego Milito, presidente do clube, viajou na sexta-feira para o Paraguai, onde conversou com Salas, que na quinta à noite havia postado uma história no Instagram que causou agitação no mundo acadêmico. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, dizia um versículo bíblico (João 8:32) escolhido pelo ex-Palestino e All Boys, cuja postagem foi acompanhada quase imediatamente por uma de Adrián Martínez, seu companheiro de ataque, que escreveu “As coisas devem ser feitas a tempo! Porque depois é tarde e o tempo passa rápido. Não deixe para amanhã o que podes fazer hoje”. A mensagem de Maravilla tinha um emoji de uma mão que assina, o que na interna do Racing foi interpretado como um apoio a Salas e um reproche à direção, devido às negociações entre as partes que se arrastaram até junho.

“De repente, aconteceu a questão do Salas, mas estamos bem. Estamos muito bem. Como sempre digo à gente do Racing: não nos desunamos. Temos que estar unidos, mais unidos do que nunca. Estamos jogando muito”, enfatizou Gustavo Costas, o treinador albiceleste, um minuto antes do início do amistoso contra o Olimpia. Salas começou o jogo no banco de reservas, em uma semana cheia que incluiu ameaças tanto a ele quanto à sua família, mas entrou no segundo tempo e mostrou o ímpeto habitual do seu jogo. “Hoje somos quem melhor representa o futebol argentino”, destacou Costas logo após as eliminações precoces de Boca e River no Mundial de Clubes. E sentenciou: “Não nos tirem nem nos façam brigar entre nós, temos de estar juntos. Quando estamos juntos, conquistamos muitas coisas”.

Bruno Zuculini, um dos líderes do elenco, marcou o terceiro gol após um rebote provocado por um chute de Salas, que também foi elogiado: “Maxi tem a camiseta do Racing, fez toda a pré-temporada conosco e é um grande companheiro”. Sobre a situação desencadeada desde que o jogador anunciou que não assinará o novo contrato com a Academia, Zuculini concluiu que “será um problema dos dirigentes, um assunto que eles terão de resolver. Enquanto isso, Maxi está com o elenco e temos de focar na primeira final que temos na quarta-feira (contra o San Martín de San Juan, pela Copa Argentina)”.

Enquanto isso, em um jogo com oito substituições permitidas, nem as mudanças de nomes e o caráter amistoso alteraram o bom costume que a Academia de Costas exibe quando sai do país: com gols de Adrián Fernández, Claudio Vargas – contra -, Zuculini e Ramiro Degregorio, mostrou sua força contra o Olímpia. “O grupo está excelente, tudo está bem com o Maxi e o queremos muito. O que acontecer com ele é uma situação de incerteza, mas não tem nada a ver conosco como isso será resolvido”, afirmou Santiago Sosa, outra voz relevante no vestiário do Racing, cujo plantel separa o desejo individual de Salas do objetivo coletivo: buscar a Copa Libertadores.

Alex Barsa

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