O River respondeu a Racing sobre o caso de Maximiliano Salas. O encarregado de falar em nome da instituição milionária foi Stéfano Di Carlo, secretário-geral do clube e candidato à presidência pela situação: “A principal frustração do Racing deveria ser o fato de não ter conseguido renovar com Salas, não de que o River tenha executado a cláusula”, disse o dirigente no canal de streaming Love/St. E referiu-se a Diego Milito, presidente da Academia, sem mencioná-lo: “Talvez ele seja novo nisso”. Di Carlo acrescentou: “Nós nunca dissemos [ao Racing] que não íamos executar [a cláusula de rescisão]. O que sempre destacamos foi que íamos fazer todo o possível para chegar a um entendimento. Milito se recusou a falar. Esgotadas essas possibilidades, restam os contratos, os papéis. Nunca se pode negar ao outro a oportunidade de sentar e negociar”.
Maximiliano Salas, com a camisa do Racing; jogará no River
FotoBairesO dirigente do River continuou: “Se você acha que o autoritarismo é inteligente, quando está lidando com um clube que tem uma economia quatro vezes maior que a sua, então as consequências acontecem”, apontou, em relação à possibilidade do River contratar o jogador por um valor equivalente ao da cláusula de rescisão (8 milhões de euros), usando a chamada “cláusula simplificada de término de contrato”, aprovada na semana passada pelo comitê executivo da AFA. Di Carlo contou a origem da negociação: “As declarações de Milito me chamaram muito a atenção. O processo foi muito longo. Não foi a conclusão que o Milito conta (…). Muitas coisas que ele disse estão longe da realidade”. E narrou como foram os passos dados: “O processo começou como todos esses processos começam. Primeiro há um contato com o jogador, como sempre acontece e todos sabem e compartilham. Até mesmo o treinador do Racing fez uma referência semelhante. Tem a ver com algo que não é apenas conhecer o funcionamento das coisas, mas é entender a vontade da pessoa. Também tem a ver com um aspecto humano. As possibilidades são infinitas”, afirmou. E prosseguiu: “A partir disso, que é a famosa ligação agora desconhecida (creio que eles também omitiram em toda a narrativa do Racing), o River fez uma oferta formal. Depois disso, sim, como o presidente do Racing disse, houve um contato com nosso presidente, Jorge Brito, e outro comigo. Ambas as conversas, superficiais, quase de passagem, em que ele perguntou sobre a possibilidade de execução da cláusula”, lembrou Di Carlo.
O secretário-geral do River foi enfático e afirmou: “Nunca dissemos [ao Racing] que não íamos executar a cláusula. Sempre dissemos que faríamos o possível para chegar a um entendimento com eles. Depois desse levantamento para entender a vontade, da primeira oferta formal, dessas conversas em que sugerimos que faríamos todo o possível para que não acontecesse assim, chegou o momento em que pedimos formalmente para conversar conosco, tanto com Brito quanto comigo, e foi aí que o presidente do Racing se recusou a falar conosco”. Di Carlo continuou seu relato: “Esgotada a possibilidade de diálogo. Esgotada a instância em que você pode falar e se entender com o outro… então, bem, restam os contratos, restam as formalidades, restam os papéis. Talvez… não sei, seja novo nisso e a situação o incomodou, o irritou, o frustrou”, postulou Di Carlo. E acrescentou: “Acredito que nunca se pode negar ao outro a possibilidade de sentar, conversar, falar… Desde o momento em que você faz isso com uma autoridade, sem ter previsto as contingências que isso tem, que por exemplo é que executem a cláusula. Sempre, primeiro, por educação e respeito, é preciso ouvir, conversar com o outro, tentar harmonizar e colocar sempre à frente os interesses do clube que você administra. Neste caso, River, no caso deles, Racing. Depois, por uma questão de praticidade e lógica. O desencadeador de tudo isso foi a questão da execução da cláusula, como se sabe, mas não é algo que é imprevisto, sem aviso prévio e sem nenhum caminho percorrido antes. Isso também precisa ser contado, para que a história seja completa”.
O secretário-geral do River, em sua conversa com o jornalista Hernán Castillo, reafirmou a posição de seu clube no caso Salas: “Nós sempre dissemos que queríamos evitar uma situação assim. Nunca descartamos completamente. Sempre dissemos que queríamos evitar e que para isso era necessário sentar e conversar. E que o diálogo era o caminho para buscar uma forma que agradasse a todos. Nunca conseguimos construir essa ponte, essa interação. Uma questão que realmente nunca nos aconteceu. Basicamente, obstruir qualquer possibilidade de diálogo. Bem, não há diálogo, restam os papéis. Se você acha que o autoritarismo é inteligente (pela maneira de não querer conversar), quando está lidando com outro clube que tem uma economia quatro vezes maior que a sua, então as consequências acontecem. E quando ocorre a execução da cláusula, não se deve zangar com o River, deve-se zangar consigo mesmo, com esse contrato que você tem e que não soube melhorar. E que faz com que você concorde com esse montante, que é por isso que você colocou no contrato quando o assinou”.
Diante da pergunta, Di Carlo respondeu sobre as semelhanças entre a compra de Salas e a venda de Franco Mastantuono: “Com Mastantuono, nós dissemos: ‘Não queremos vendê-lo’. Não o vendemos. Eles vieram e executaram a cláusula. O que você vai fazer? Pode ficar bravo, o quanto quiser. Mas não pode exteriorizar ou questionar. É como se Brito questionasse a forma ou os estilos de Florentino Pérez quando fizemos a transferência mais importante da história da Argentina e talvez da América. Não é um sucesso do ponto de vista do que queríamos para o nosso projeto de futebol. Não queríamos vendê-lo, bem… Ocorreu isso. O que não se pode é questionar o contrato que você mesmo assinou ao estabelecer uma cláusula em um valor determinado. Pode-se estar triste ou angustiado porque colocou um valor que não considera suficiente, que é outra questão que não é o que nos aconteceu em termos do volume ou do tamanho dessa cláusula”.