Uma nova carta de especialistas e ONGs pede a Jorge Macri que não avance com a demolição da ponte histórica de Ciudad de la Paz.

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O debate sobre o futuro da histórica Ponte Ciudad de La Paz ganhou um novo capítulo com a divulgação de uma carta aberta dirigida a Jorge Macri, chefe do governo da cidade. No documento, 25 especialistas em arquitetura e preservação do patrimônio pediram que se abandone a intenção de demolir o viaduto e, em vez disso, se realizem obras de reabilitação que garantam sua conservação. A carta conta com assinaturas de representantes de várias organizações e instituições acadêmicas, como Ana Bas, presidente da Associação Civil Basta de Demoler; Andreína de Luca de Caraballo, presidente da Fundação Cidade; Marcelo L. Magadán, mestre em restauração e especialista em conservação de edifícios históricos, membro do GEAP-Latinoamérica; Sonia Berjman, especialista em patrimônio cultural e paisagem; e Daniel Schávelzon, pesquisador e ex-diretor do Centro de Arqueologia Urbana (FADU-UBA).

ONGs e especialistas em arquitetura apelam em uma carta a Jorge Macri para salvar a Ponte Ciudad de La Paz. “Pedimos que desista de sua intenção de demolir a ponte histórica e que respeite a identidade do bairro”, argumentaram as organizações e profissionais no documento, destacando que o viaduto, com mais de um século de idade, é classificado como bem protegido desde 2016 e habilitado para tráfego leve, ambulâncias e caminhões de bombeiros, de acordo com relatórios técnicos do próprio governo municipal.

O texto lembra que a ponte havia sido reaberta em 31 de março, após permanecer fechada por dois anos, com Macri liderando a reinauguração. “Ouvimos o clamor dos moradores por anos: uma ponte fechada que muitos diziam que não poderia ser reparada. Cumprimos com as obras”, afirmou o chefe de governo durante o evento. No entanto, os especialistas ressaltaram que, apesar dessas declarações, semanas depois foi divulgada a licitação da Autopistas Urbanas SA (AUSA) para demolição e substituição por uma nova estrutura que permitisse a passagem de caminhões de coleta de lixo em direção à planta da CEAMSE.

“Nos perguntamos, senhor Jorge Macri, o motivo da sua mudança de critério e qual é o interesse que o move agora a demolir a ponte histórica Ciudad de La Paz, contra a opinião dos moradores, especialistas em patrimônio urbano, estudos técnicos realizados e funcionários do governo municipal”, destacaram os signatários.

O futuro da Ponte Ciudad de La Paz gerou uma polêmica que já dura semanas. O documento enfatiza que em países que protegem seu patrimônio urbano, a demolição de pontes históricas não é considerada, mas sim sua restauração para prolongar sua vida útil e manter seu valor simbólico. “São inúmeras as pontes antigas que continuam funcionando no mundo, algumas com centenas de anos, para as quais são aplicadas as melhores práticas em termos de reabilitação e conservação”, explicaram.

Também questionaram a alternativa de mover a ponte para usá-la como peça decorativa em outro local. “Nos parece equivocado o plano anunciado de desmontar esta ponte histórica para levá-la a outro lugar como decoração. Imagine se esse critério tivesse sido aplicado ao Teatro Colón, também classificado como bem patrimonial”, escreveram, lembrando que o principal teatro da cidade ficou fechado por anos e reabriu após trabalhos de restauração, sem que ninguém propusesse sua demolição ou substituição por um prédio moderno.

Por isso, as ONGs e especialistas instaram o governo municipal a reconsiderar sua posição: “Pedimos que desista de sua pretensão de demolir a ponte histórica e que respeite a identidade do bairro e da cidade, e o convidamos a orientar seu interesse para a preservação do bem, implementando as obras de requalificação que forem necessárias”. Além disso, destacaram que a reabilitação teria um custo “muito menor do que o gasto inútil de demolir e construir uma nova”.

A carta propõe a formação de um grupo de trabalho composto pelos engenheiros responsáveis pelos relatórios técnicos, funcionários municipais, especialistas em patrimônio urbano e moradores, com o objetivo de encontrar soluções que garantam a segurança sem perder o valor histórico da ponte.

Alex Barsa

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