Visitas guiadas: o bairro portenho com espírito labiríntico completa 100 anos, onde uma rua se cruza consigo mesma

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Este 29 de setembro marca o centenário deste bairro portenho tão peculiar. Seu design circular lhe concedeu a fama de labirinto sobrenatural em torno do qual sua história é tecida. Os mitos urbanos que surgiram ao longo dos anos surpreendem: desde o ônibus que leva diretamente ao inferno ou o interno de uma linha de ônibus antiga que se diz ainda dar voltas pelo bairro com os passageiros a bordo, até um portal para uma dimensão desconhecida que se abre na interseção de Bauness e Bauness, a rua que se encontra com ela mesma. Os festejos do centenário de Parque Chas começaram no início do mês e desde então têm ocorrido uma extensa programação de atividades que convidam os moradores e visitantes a conhecer um pouco mais sobre o último bairro portenho oficializado. Entre elas, houve um tricô coletivo, uma exposição de pintura, uma caminhada noturna com intervenções artísticas e seres fantásticos, uma feira artesanal, espetáculos de mágica, caça ao tesouro, uma conversa com a renomada produtora de cinema Lila Stantic na casa onde viveu na adolescência e um workshop de fanzines. Um extenso programa de atividades convida moradores e visitantes a conhecer um pouco mais sobre o último bairro portenho reconhecido como tal. Parque Chas é delimitado pela rua La Pampa e pelas avenidas Triunvirato, Combatientes de Malvinas, Chorroarín e De los Constituyentes. O bairro compreende cerca de 150 quarteirões onde vivem em média 20.000 habitantes. Seu design circular lhe concedeu a fama de labirinto sobrenatural em torno do qual sua história é tecida.

Já o design labiríntico foi uma solução para uma questão econômica. “Os Chas eram comerciantes de terra e, diante do pouco espaço, recorreram ao design para obter uma grande quantidade de lotes”, adverte Oscar Mango, presidente da Junta de Estudos Históricos de Parque Chas e vice-presidente do Club El Trébol. A criação de Parque Chas possui 100 anos, mas seu reconhecimento como bairro portenho em definitivo levou muito tempo. Anteriormente, Parque Chas fazia parte de Agronomia, sendo denominado como bairro somente em 6 de dezembro de 2005 pela Legislatura portenha.

Alguns moradores levam sua história e o ritmo de seus dias para o mundo digital. Fernando Belvedere, designer gráfico, mudou-se para o bairro nos anos 90 e criou a página Portal Parque Chas Web, que ele chama de memória do labirinto. Belvedere é parte da comissão responsável pela organização dos festejos do centenário do bairro, enquanto seu portal completa 25 anos em 4 de outubro. Alejandro Obeid, vizinho próximo à fonte do Parque Chas, criou a conta Out of Context Parque Chas. “Me interessa mostrar o bairro, sua cadência, seu clima, seu espírito, fundamentalmente pelo humor, o disparate, mas também pela arte e arquitetura. Parque Chas é terra de artistas e vizinhos criativos”, explica. A fonte, coração e símbolo do bairro. Reconhecendo a história de cem anos, o que mais valoriza em morar no bairro é o senso de comunidade.

Em relação aos eventos comemorativos, haverá um festival de guitarras no Clube El Trébol, uma leitura de música na livraria Malatesta, um ensaio musical ao vivo por Gabriel El Sayer, entre outras atividades. O festejo central será na Plaza Éxodo Jujeño e incluirá uma mostra de futebol, uma feira de artesanato e gastronomia, além de diversos shows musicais. Por fim, haverá a projeção do filme “Uma película de Parque Chas”. As ruas circulares tornam difícil para quem não conhece o bairro sair dele, uma característica que despertou lendas.

Alex Barsa

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